A sua casa tem muitas portas, muitas entradas e saídas. Tem
mais tocas do que um coelho, mais túneis que uma toupeira, e é mais astuta que
uma raposa. Vive do que os outros deitam fora, mas não se importa, considera-se
até bastante feliz, na sociedade moderna de tudo se despojam os homens. Do escuro da sarjeta, o animal espreita os
passantes e espera a qualquer momento algo que caia ao chão para, nem que seja
no intervalo das máquinas fumegantes que passam no alcatrão, ir a correr
apropriar-se do farnel. Já ouviu dizer que há países distantes onde outras como
ela são idolatradas, e lhes é concedida a pré-lavagem dos pratos dos
restaurantes. Após o serviço, os empregados empilham as loiças nas traseiras, e
é vê-las às centenas, amontoadas sobre os pratos. Sonha com esses sítios, enquanto espera pelos sobejos dos
humanos.
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