segunda-feira, 8 de setembro de 2014

PIQUENIQUE


D. Ifigénia chegou carregada com os taparuéres e os termos repletos de croquetes, rissóis e panadinhos acabados de fazer. As raparigas tagarelavam animadas, e nem deram pela sua presença. Discutiam a idade ideal para perder a virgindade, e qual a melhor altura para voltar a achá-la, de preferência uns dias antes de casarem. Uma afirmava conhecer um hospital que lhes restituiria a pureza mediante o pagamento de chorudos honorários, outra dizia que bastava mentir, outra que o molho de tomate na consistência certa e no momento indicado serviria muito bem. Outra não ligava a mínima à conversa, e a outra desconversava, puxando assuntos triviais, como a origem da vida, ou as virtudes  de praticar o bem. Quando pediram a opinião da avó, ela respondeu-lhes que era de outros tempos e que até tinha uma vizinha que tinha um atestado de virgindade passado pelo hospital. Antigamente havia decoro e as mulheres guardavam-se para o amor da sua vida. A neta mais atrevida perguntou-lhe se já tinha tido orgasmos. Ela disse que sim, há muito tempo, mas que o médico, o bom Dr Reboxo, lhe tinha curado isso com uma loção da qual já não se lembrava do nome.

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