D. Ifigénia chegou carregada com os taparuéres e os termos
repletos de croquetes, rissóis e panadinhos acabados de fazer. As raparigas
tagarelavam animadas, e nem deram pela sua presença. Discutiam a idade ideal
para perder a virgindade, e qual a melhor altura para voltar a achá-la, de
preferência uns dias antes de casarem. Uma afirmava conhecer um hospital que
lhes restituiria a pureza mediante o pagamento de chorudos honorários, outra
dizia que bastava mentir, outra que o molho de tomate na consistência certa e
no momento indicado serviria muito bem. Outra não ligava a mínima à conversa, e
a outra desconversava, puxando assuntos triviais, como a origem da vida, ou as
virtudes de praticar o bem. Quando
pediram a opinião da avó, ela respondeu-lhes que era de outros tempos e que
até tinha uma vizinha que tinha um atestado de virgindade passado pelo
hospital. Antigamente havia decoro e as mulheres guardavam-se para o amor da
sua vida. A neta mais atrevida perguntou-lhe se já tinha tido orgasmos. Ela disse que sim, há muito tempo, mas que o médico, o bom Dr Reboxo, lhe tinha
curado isso com uma loção da qual já não se lembrava do nome.
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