Eunice batia à porta sempre seis vezes, e sempre a mesma
cara vinha abrir. Uma cara entreabria a porta e espreitava. Uma cara óssea e
pequena, do tamanho de uma maçã grande. Os olhos escuros fixavam os dela, e
repetiam sempre a mesma frase: estás enganada, bateste à porta errada, quem
procuras não está cá, foge foge daqui JÁ! – e dito isto a cara acendia dois
olhos e começava a gemer como uma cabra.
Eunice sabia que aquilo era um sonho, e que nada daquilo era
real, mas não deixava de acordar sobressaltada e rezar logo seis avémarias e
seis paisnossos. Era a madrugada de sexta feira treze, e andava a sonhar com
aquela merda desde segunda, ou seja, mais uma vez e seria a sexta. Passou o
resto do dia angustiada e à noite untou-se com azeite e alho e foi-se deitar
toda nua, com o terço ao pescoço e a esperança de acordar no outro dia de
manhã.
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