Anah esperava por Farouk para o almoço, ansiosa, na varanda
que dava para a rua da frente. Não era costume ele atrasar-se, pois fazia da
pontualidade uma questão de honra. Não raras eram as vezes em que, tendo ela
tardado uns minutos com a refeição, ele lhe dava uma enorme reprimenda,
discorrendo sobre sobre honra e compromisso, rotina e felicidade, deferência e
lealdade. E ela fazia os possíveis para ir cumprindo. Hoje começava já a ficar
nervosa. Ele tinha saído de manhã, livro debaixo do braço- esse livro que não
lhe mostrava, e que andava a ler já há um par de semanas- carteira com o passe
e uma nota de dez, e pouco mais. Mal sabia ela que ele se tinha sentado numa
estação a acabar de ler o livro, e se distraiu com o passar dos comboios, até
ser tarde demais para ir pegar ao serviço.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
segunda-feira, 1 de junho de 2015
HISTÓRIA
Vês, filho, era aqui que os antigos guardavam as bestas,
disse o pai, pondo um ar solene. O filho olhava pasmado e imaginava o tamanho
que deviam ter esses bichos, e quão grandes deviam ser as suas cabeças para não
passarem pelos intervalos das colunas. Olhou para o pai, e este, procurando
desfazer todas as suas dúvidas, rematou: Vês as dentadas que davam na pedra a
tentar fugir. Diz-se que comiam vacas inteiras quase sem mastigar. O miúdo, já
um bocado assustado, puxou a mão do homem para se irem embora. e ele acedeu: Ali
mais à frente vamos ver uma capela cheia de caveiras.
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