Anah esperava por Farouk para o almoço, ansiosa, na varanda
que dava para a rua da frente. Não era costume ele atrasar-se, pois fazia da
pontualidade uma questão de honra. Não raras eram as vezes em que, tendo ela
tardado uns minutos com a refeição, ele lhe dava uma enorme reprimenda,
discorrendo sobre sobre honra e compromisso, rotina e felicidade, deferência e
lealdade. E ela fazia os possíveis para ir cumprindo. Hoje começava já a ficar
nervosa. Ele tinha saído de manhã, livro debaixo do braço- esse livro que não
lhe mostrava, e que andava a ler já há um par de semanas- carteira com o passe
e uma nota de dez, e pouco mais. Mal sabia ela que ele se tinha sentado numa
estação a acabar de ler o livro, e se distraiu com o passar dos comboios, até
ser tarde demais para ir pegar ao serviço.
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