Tudo o que eles queriam era brincar e fazer de conta. Os
adultos, por seu lado, só viam trabalho. E oportunidades para trabalhar, mesmo
que se chamasse brincadeira estruturada. Como se a brincadeira em si própria não
fosse coisa séria. Eles só precisavam de alguém que os fizesse sentir seguros,
que os protegesse, os alimentasse, os amparasse. Se os vissem com olhos de ver,
poderiam constatar que eles sabem brincar, eles sabiam bem o que fazer a cada
momento, como interagir com as árvores e os bichos. Certo dia, fartaram-se,
fundiram-se com a grande Mãe, e o pânico foi geral. Fizeram-se planos e
projetos de intervenção pessoais e coletivos, que uma doença grave se tinha
apoderado daquelas crianças. Que só queriam brincar, que não prestavam atenção,
que não respeitavam os adultos, os seus limites e limitações, os seus planos e
projeções.
Mas não serviu de nada, pois quando o tempo passou, eles já
lá não estavam. Tinham fugido pelos bosques, correndo, saltando, cantando, brincando,
felizes e alheios à adultização.