Há muito reformada, Florinda tecia para sustentar os filhos, todos presos nas malhas das escolhas que fizeram. Vivia com as baratas, que
escolhia não ver. Ajudavam-na a cozinhar, indicavam-lhe a direção do
frigorífico, da despensa, e do caixote do lixo. E tomavam banhos demorados no
ralo do lava-loiças.
À noite, sempre antes da novela, e sob o efeito do exaltante
amor materno, ligava para todos a saber as últimas novidades, a contar as
últimas tragédias. Obrigada, despedia-se, sempre em bom português, obrigada por
terem atendido o telefone.
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