Num belo
recanto de um magnífico jardim, os casais namoram, os estudantes estudam, os
eruditos lêem, os jardineiros jardinam, as vizinhas quadrilham, os larápios
espreitam. Mas ninguém dá pelo corpo inconsciente depositado nos degraus.
Pensarão que dorme, ou que relaxa, ou que recupera de uma ou várias noites de
borga, ou que faz tudo isto ao mesmo tempo. Ninguém estranha a sua postura encarquilhada,
nem a ausência de movimento de maré no seu tórax, nem o odor que lentamente se
começa a desprender das suas partes privadas.
Em Portugal, em dois mil e quinze, as pessoas são menos que pó.
Em Portugal, em dois mil e quinze, as pessoas são menos que pó.