terça-feira, 18 de novembro de 2014

EMIGRANTES


Hai-di olha o cargueiro a largar. Dentro deste, vários contentores coloridos e mudos carregam pesos variados. Dentro de um deles vai parte da sua família: O pai, e no seu bolso uma latinha com a mãe, extinta no ano anterior; o tio, um pouco mais novo, e os seus dois irmãos. São os homens que vão, nunca as mulheres. Espera-a uma vida a servir, a trabalhar de sol a sol, sem nunca ir à escola, sem nunca entrar no maravilhoso mundo que dizem haver dentro de cada livro. O ar há-de faltar dentro da caixa de chapa, por isso a jovem não sabe se a viagem deles vai ser defunta ou nascente. Apenas sabe que fica sem eles, e nem a bela paisagem a anima sob a sombra do seu chapeúzinho.

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