Hai-di olha o cargueiro a largar. Dentro deste, vários
contentores coloridos e mudos carregam pesos variados. Dentro de um deles vai
parte da sua família: O pai, e no seu bolso uma latinha com a mãe, extinta no
ano anterior; o tio, um pouco mais novo, e os seus dois irmãos. São os homens
que vão, nunca as mulheres. Espera-a uma vida a servir, a trabalhar de sol a
sol, sem nunca ir à escola, sem nunca entrar no maravilhoso mundo que dizem
haver dentro de cada livro. O ar há-de faltar dentro da caixa de chapa, por
isso a jovem não sabe se a viagem deles vai ser defunta ou nascente. Apenas
sabe que fica sem eles, e nem a bela paisagem a anima sob a sombra do seu
chapeúzinho.
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