terça-feira, 28 de outubro de 2014

LINHA AZUL


Farouk lia a última página do manual “salvação pelo suicídio”. A estação estava vazia, o que para ele era perfeito, pois era um homem tímido, recatado, e não queria cá público a ver o seu corpo separado no carril. Ao mesmo tempo, o maquinista Pereira vinha, sóbrio como um pepino, a gozar o seu primeiro dia no posto. Uma promoção bem merecida, pensava, já cá ando há uns anitos. Ao chegar ao apeadeiro, olhou por segundos para o pulso, a ver se estava a cumprir a rota ao segundo, e sentiu um pequeno solavanco que abrandou a máquina por uns segundos. Deve ser normal, pensou, deve ser o aviso para parar, e puxou a alavanca para trás.

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