Atento, Mamadu voltou atrás para buscar uma pedra de
calçada, o martelo e o formão. Pois que ainda tinha que rebocar os blocos de
cimento que o patrão o deixou a assentar de manhã, e não queria deixar nada por
acabar. Sabia que ele regressava ao fim da tarde, obcecado pela perfeição,
passava revista ao andar da obra, e era raro aquele que, não cumprindo o que
lhe estava consignado, ficava impune ao castigo do Bigodes. Levantava o dedo calejado e apontava os erros, as falhas,
as imperfeições, e tudo o que estava incompleto ou deficiente. E ele precisava
do trabalho, ó como precisava, e do dinheiro ainda mais. O gajo pagava atrasado
mas não falhava, e o emigrante mandava o soldo quase todo para a sua terra,
onde não podia permitir que os seus filhos comessem pior do que ele.
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