sábado, 4 de outubro de 2014

RESILIÊNCIA






































Uma lutadora, sim senhor- afirmavam uns, aqueles que não a conheciam. Também os que desconheciam que ela não sabia fazer mais nada senão aquilo. Fazia-a sentir-se viva, uma e outra vez, como se o coração lhe parasse quando não dançava. Sozinha, a pares, em roda, em casa, no clube, na rua, sempre solta, tremelicava o corpo, como um cão que sacode a chuva, e aí começava ela a gingar ao som de qualquer que fosse a música. Pilhas que nunca acabavam. Até no hospital, onde lhe amputaram o braço infectado, fez questão de dar dois passos de dança com um enfermeiro e mais dois com o cirurgião, antes até de lhe passar o efeito da anestesia. 

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