Uma lutadora, sim senhor- afirmavam uns, aqueles que não a
conheciam. Também os que desconheciam que ela não sabia fazer mais nada senão
aquilo. Fazia-a sentir-se viva, uma e outra vez, como se o coração lhe parasse
quando não dançava. Sozinha, a pares, em roda, em casa, no clube, na rua,
sempre solta, tremelicava o corpo, como um cão que sacode a chuva, e aí
começava ela a gingar ao som de qualquer que fosse a música. Pilhas que nunca
acabavam. Até no hospital, onde lhe amputaram o braço infectado, fez questão de
dar dois passos de dança com um enfermeiro e mais dois com o cirurgião, antes até
de lhe passar o efeito da anestesia.
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