quinta-feira, 9 de outubro de 2014

CARTA


Caro Júlio
Sei  bem o que sentes quando pensas em nós, em mim e depois no teu filho. Envio-te esta  fotografia propositadamente para que não o vejas crescer, e como vai mudando, parecendo-se sobretudo contigo. Há-de saber a vida toda que o pai é um tipo às direitas, mas que, para seu azar, não quis saber dele. Desisitiu, como se desiste de visitar um familiar muito velho num qualquer lar onde definha. Sò que ele não é um velho. Ele é uma criança com um potencial enorme que merecia carinho, cuidado, amor de pai. E até é isso que tem, só que não é do pai que eu escolhi para ele. Isso deixa-me ainda mais frustrada. Diabos te levem, Júlio.
Cumprimentos
Núria

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