Caro Júlio
Sei bem o que sentes
quando pensas em nós, em mim e depois no teu filho. Envio-te esta fotografia propositadamente para que não o
vejas crescer, e como vai mudando, parecendo-se sobretudo contigo. Há-de saber
a vida toda que o pai é um tipo às direitas, mas que, para seu azar, não quis
saber dele. Desisitiu, como se desiste de visitar um familiar muito velho num
qualquer lar onde definha. Sò que ele não é um velho. Ele é uma criança com um
potencial enorme que merecia carinho, cuidado, amor de pai. E até é isso que
tem, só que não é do pai que eu escolhi para ele. Isso deixa-me ainda mais
frustrada. Diabos te levem, Júlio.
Cumprimentos
Núria
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