Jerónimo costumava achar que era ali que começavam todas as
viagens. Naquela entrada junto ao monte do Ti Manel. Punha-se ali sentado em
cima duma pedra, um tipo de marco de propriedades. Imaginava que alguém havia
de parar, por pena, solidariedade ou curiosidade, e convidá-lo-ia a entrar.
Levava sempre os seus parcos pertences numa mochilita de juta, mais uma fisga
no bolso, para o que desse e viesse. A mãe julgava-o na escola, e descansada,
entregava-se à pinga, nos intervalos da lavoura. Mas ele não queria saber, o cabrão
do professor não lhe havia de apanhar outra vez as suas pobres mãos com a régua
de pinho. À hora do fim das aulas, regressava a casa resignado, mas nunca
perdia a esperança. Amanhã alguém há-de
parar.

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