segunda-feira, 6 de outubro de 2014

VIAGEM


Jerónimo costumava achar que era ali que começavam todas as viagens. Naquela entrada junto ao monte do Ti Manel. Punha-se ali sentado em cima duma pedra, um tipo de marco de propriedades. Imaginava que alguém havia de parar, por pena, solidariedade ou curiosidade, e convidá-lo-ia a entrar. Levava sempre os seus parcos pertences numa mochilita de juta, mais uma fisga no bolso, para o que desse e viesse. A mãe julgava-o na escola, e descansada, entregava-se à pinga, nos intervalos da lavoura. Mas ele não queria saber, o cabrão do professor não lhe havia de apanhar outra vez as suas pobres mãos com a régua de pinho. À hora do fim das aulas, regressava a casa resignado, mas nunca perdia a esperança. Amanhã alguém há-de parar.

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