quarta-feira, 24 de setembro de 2014

ESPERA


Simão sabe que fez mal. Não devia ter assaltado aquela velhota no cais do Sodré. Agora de volta à sua margem, manietado por três populares e um contramestre, nem sequer pode tentar o desbordo, chegar à Trafaria a nado. Do outro lado encontra-se a carrinha da brigada, repleta de cassetetes aos quais não poderá fugir. Congemina já uma história o mais simples possível, do tipo, não tenho o que dar de comer aos meus filhos, ou a minha mulher gasta-me o dinheiro em bebida, ou ainda, estou a dever a um vizinho que me mata se não lhe pagar. Mas também já sabe que não lhe valerá de nada, pois tanto ele como as histórias já são por demais conhecidos dos agentes. Só espera que eles perguntem antes de bater, para ele se poder escusar, talvez atenue um bocadito: Simão sabe que fez mal.

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