Simão sabe que fez mal. Não devia ter assaltado aquela
velhota no cais do Sodré. Agora de volta à sua margem, manietado por três
populares e um contramestre, nem sequer pode tentar o desbordo, chegar à
Trafaria a nado. Do outro lado encontra-se a carrinha da brigada, repleta de
cassetetes aos quais não poderá fugir. Congemina já uma história o mais simples
possível, do tipo, não tenho o que dar de comer aos meus filhos, ou a minha
mulher gasta-me o dinheiro em bebida, ou ainda, estou a dever a um vizinho que
me mata se não lhe pagar. Mas também já sabe que não lhe valerá de nada, pois
tanto ele como as histórias já são por demais conhecidos dos agentes. Só espera
que eles perguntem antes de bater, para ele se poder escusar, talvez atenue um
bocadito: Simão sabe que fez mal.
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