quarta-feira, 27 de agosto de 2014

UNDERCOVER


 
Omem encostou-se junto ao quiosque ainda fechado, conforme as instruções recebidas por e-mail na noite anterior. Aguardava descontraidamente o sms que lhe daria o sinal para avançar.
Dissimulada com extremo cuidado na bainha anterior das cuecas, a arma aguardava pacientemente o dedo do dono. Carregada e destrancada, para ser mais rápida e polida para ser mais bela, ansiava ser manipulada por mãos fortes, hábeis e enluvadas. Embora de nacionalidade chinesa, compreendia bem as razões que estavam prestes a fazê-la entrar em acção. Os infiéis tinham uma factura a pagar, e não era ela que iria obstar a cobrança da mesma. Ao fim e ao cabo, era para isso que existia, para corrigir desigualdades, para equilibrar balanças. Olho por olho, dente por dente.

3 comentários:

  1. ... e o fulano que fuma com aquele ar aparentemente descomprometido? será assim tão inocente como aparenta?
    :)
    é interessante uma imagem que nos é familiar obter outros "pontos de vista"
    aos olhos de outras pessoas.
    Abraço,
    RP

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