O homem de barbas brancas deu por isso, e gritava agora como
um louco, apontando para mim. Foi ele, foi ele, foi ele! Olhei para o lado, e
procurei disfarçar. Eu safava-me, eu ia-me safar, não era a primeira nem seria
a última vez que roubava algo numa feira. A bófia varria já o recinto,
começando pela entrada. Podia ver os bastões sobrevoando as cabeças, e os
baques surdos do embate craniano. Ossos a estalar, dentes a saltar, o branco
esmalte confundindo-se com a calçada, e os velhos procurando as dentaduras pelo
chão. O africano apressou-se a guardar os artefactos da sua longínqua terra, e
ajoelhou-se no chão, dali já não conseguia fugir, ia apanhar como os outros. Os
ciganos, pelo contrário, sentavam-se descontraidamente e acendiam cigarros,
aproveitando a confusão para fazer uma pausa na sua berraria. Quando o esquadrão
passou por nós, aconcheguei-me mais ao peito do meu pai, que retribuiu com um
ajeitar do meu capuz. Obrigado, papá.
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