É verdade que ela sempre foi boa filha, retorquiu a septuagenária, boa para nós, sempre nos visitou, sempre nos tratou bem.
Sim, murmurou o marido, até nos ajudou quando nos cortaram na reforma, lembras-te?
Então não lembro, lembro sim senhor, e acenou passados uns segundos, como que a reforçar a si mesma a afirmação.
Pois, não estava era à espera era que ela virasse...
Virasse o quê?
Tu sabes, aquilo, disse ela ainda mais baixo.
À pois, aquilo.
Mas suponho que se elas se gostam, não faz mal, não achas?
Ele respondeu com silêncio.
E o que fazemos, que diremos aos vizinhos quando elas vierem viver connosco?
Se.
Se o quê?
Se elas vierem viver connosco.
Pois.
Vários autocarros passaram sem que tomassem uma decisão. Assoberbados pela dupla revelação-pedido de guarida, tinham-se esquecido de tomar os comprimidos da manhã, e o seu pensar tornou-se cada vez menos ágil, como o esvaziar de um furo lento.
giro o texto
ResponderEliminar... não estava à espera que ela virasse...