quinta-feira, 28 de agosto de 2014

SENHORINHA



A mãe desapareceu sem que ela desse por isso. Via apenas a bainha dos casacos das pessoas que passavam, ocupadas e apressadas. Sem chorar, escolheu uma direcção e levantou bem a cabeça, e andando com pose de senhorinha, avançou pelo meio dos transeuntes. A rua era pedestre, pelo que ainda não tinha que se preocupar com os carros, ao menos isso. E andou para cima e para baixo toda a manhã e toda a tarde, sem que a mãe desse sinal de vida. Não percebia muito bem porque é que a mãe ainda não a tinha encontrado. Lembrava-se da discussão da noite anterior, onde ela e o pai gritaram muito, e onde a falta de dinheiro foi o tema central. O pai dormiu no sofá e saiu ainda de madrugada, de mochila às costas, sem se despedir dela. Começava já a ter fome, mas nada de especial, já estava habituada a comer só uma vez por dia, geralmente em casa da vizinha Luísa, que morava no andar de baixo e tinha um cão chamado pouco, muito bonito e nada desconfiado. Decidiu entrar numa loja cuja montra estava repleta de lindos chapéus, parecidos com os que a vizinha Luisa usava. Talvez o senhor da loja tivesse pena dela e lhe oferecesse um.





2 comentários:

  1. ...talvez o senhor do café tivesse pena dela e lhe desse o bolo ;)

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    1. por acaso acho que era o chupa-chupa, ou uma mini? Já não sei...

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