Nenhum dos rapazes fez o que os pais esperavam. Não
estudavam para médicos, engenheiros, arquitectos, padres, nem sequer para
professores. Estavam todos numa escola esquisita, num bairro velho e degradado,
onde os professores não usavam gravata e falavam com os alunos de igual para
igual. Havia até um que nas primeiras aulas lambia ostensivamente o giz dos
dedos, até que alguém lhe perguntasse porque o fazia, e daí se partisse para uma
discussão sobre manias pouco ortodoxas. Os pais repreendiam-nos quando chegavam
a casa, invariavelmente fora de horas e anestesiados.
Não muito, para eles o suficiente para ainda aproveitarem para, no conforto dos
seus quartos, comporem ou escreverem mais uma coisita, aproveitar a ampliação
dos sentidos. E ganhavam uns troquitos na rua, a alegrar as pessoas com a sua
arte, perante o olhar reprovador de algumas mães mais conservadoras.
Dias Felizes!
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