quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O HOMEM BALA


 
Celestino via ao longe o hábil mergulhão com a mulher bem mais jovem. O gajo esmerara-se no salto, arqueando o dorso, fazendo por mostrar que ainda lhe restava alguma virilidade, nem que fosse à custa de fazer figura de parvo, ganhar uma hérnia, um hematoma na testa, ou as três juntas. Ele, pelo contrário, não faria qualquer esforço para adornar o seu mergulho, nem tampouco lhe interessava acertar na água, antes pelo contrário. Veio ali para se atirar de cabeça contra as rochas, de forma o mais desajeitada possível. O objectivo, no fundo, até era parecido, o de dar nas vistas, e impressionar alguém. A forma ou a estética é que diferia. Ele esperava chocar os passantes com a forma como a sua proeminente cabeça se esmagaria contra os blocos como uma melancia. Não veria as fotos nos jornais, mas com certeza que a sua ex o faria. E havia de amargar os longos interrogatórios na esquadra e na liga de amigos dos animais, por a sua casa se encontrar cheia de ratos mortos. Toma!

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