O chef fritava, compenetrado, as bifanas do dia, quando ao
virar-se para tirar uma alheira já pronta, deu com um parzito de olhos a olhar
para ele do meio do petisco. Congelou, naquele momento. O suor em bica a
correr-lhe da testa sobre os olhos, talvez lhe causasse alucinações, pensou, ao
ver que o bichito o olhava fixamente nos olhos. Antigamente não teria hesitado
um segundo, e tê-lo-ia esmagado entre os dedos sem misericórdia. Mas desde que
visitou um parque de diversões na Alemanha, numa visita ao seu irmão emigrado,
e entrou numa diversão chamada maus au
chocolat, a sua perspectiva sobre os roedores caseiros mudara
completamente. Passou a sentir por eles uma afinidade imensa, de tal maneira
que jurou voltar lá um dia, a esse parque, e passar um dia inteiro a entrar e
sair naquela aventura virtual. Calhou também nesse mesmo ano ler um livro muito
engraçado do escritor Boris Vian, A espuma
dos dias, no qual a espécie roedora normalmente classificada como praga,
era afinal rainha e companheira. De forma que contemporizou, olhou por cima do
ombro, depois para o lado de fora da montra, e constatando que ninguém olhava
para ele, empurrou delicadamente com o indicador uma das alheiras semiratadas
na direcção do pequeno focinho dentuço. O ratito não se fez rogado, e
abocanhando o presente, lançou-lhe um olhar de aprovação, à laia de
despedida-até-mais-logo, e recuou para baixo da montra.
:-D os meus preferidos....Viva o Maus au chocolat
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