Rodeada de pessoas que não conhecia, Doina avançou, como lhe
mandaram. Puxando uma mala que não era a sua, cheia de coisas que não eram as
suas coisas, deu por si a ter pensamentos que não eram seus, e pensou como seria bela, a ideia de fugir.
Apenas a ideia, sem nada mais a acompanhar. Um tipo de fantasia passageira,
como uma pequena constipação. Ainda lhe
pareceu ver a silhueta do namorado ao longe, passeando entre as carruagens,
cruzando-se com as silhuetas de outros jovens. Pareceu-lhe que dizia que não
com o dedo. Que não tentasse nada, que tinha mais a perder do que a ganhar. Mas
ganhou, um lugar mesmo à janela, cruelmente guardado para si. Para que pudesse
despedir-se melhor da sua terra, enquanto a máquina a puxava para longe de
tudo. E quando cruzou a fronteira para o país vizinho, foi como se a rasgassem
ao meio, e o seu sangue vertido num alguidar.
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