terça-feira, 17 de novembro de 2015

MARLENE



O marido na tasca, e ela ali a trabalhar. Bem passada estava a hora da reforma, mas não dava para os medicamentos, e como nem tudo se cura só com mezinha, a galega senhora empregou-se no quiosque de um vizinho. Os velhos vinham todos os dias e babavam-se olhando as revistas, sem nunca terem coragem ou dinheiro para as comprar. E portanto elas iam envelhecendo e ficando amarelas do sol, que o pó sempre se ia sacudindo à sexta feira, quando limpava o quiosque. De todos os anos que lá trabalharia, pouco mais do que umas quantas patacas iria juntar. Mas sempre lhe dava para se arranjar na Páscoa e no Natal para ir à missa, e tentar que o consorte a acompanhasse. Longe iam os tempos em que o seu marido lhe sussurrava aos ouvidos- Cucha. Em vez disso tinha ali os velhos que vinham todos os dias e se babavam olhando as revistas.


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