O vento fustigava as árvores e as pessoas que se abrigavam
como podiam nos apeadeiros dos autocarros. Excelentes proteções para os
utentes dos transportes públicos, as estruturas de ferro, alumínio e vidro solidamente chumbadas ao chão de betão e calçada. Completamente alheio a
tudo isto, o jovem caminhava sozinho a passos largos em direção à paragem do
autocarro para o Monte da Caparica. O chão parecia tremer sob o seu peso e a
sua imponente figura. Distraído mas determinado, acelerou o passo ao ver que já
se fazia tarde, olhos sempre fixos no chão. Quando terminava de trautear
o último verso de Bela Lugosi´s dead,
atravessou o vidro da paragem como uma locomotiva. Quase caiu, e ainda patinou um
pouco nos milhões de vidros espalhados pelo chão. Olhou para as mãos, limpas, endireitou-se, recuperou a tração nas botas, e retomou o seu caminho, negro nos seus pensamentos
musicais. Undead, undead, undead.
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