terça-feira, 10 de março de 2015

FURA VIDAS


Sem saber muito bem como nem porquê, Ernesto foi despedido do seu emprego de fiel de armazém. Extinção do posto de trabalho, o que quer dizer que ele foi posto na rua, mas os colegas não, e a empresa continua a funcionar. Teve pena, pois já lá trabalhava há quase trinta anos, e gostava do que fazia. Mas como nunca foi de baixar os braços, pegou no dinheiro da indemnização e, contra a vontade da mulher, adquiriu um stock considerável de artigos eróticos a um fabricante indiano e dedicou-se à venda ambulante. É vê-lo todos os dias na baixa, a apregoar a mercadoria- Olhó brinquedo maroto, é prá menina e pró menino, olhó rajá do mandingo, olhá boneca d´encher.

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