quarta-feira, 25 de março de 2015

CAÇADOR DE VAMPIROS 2


Disfarçado de vendedor de alhos, o caçador de vampiros deslizou pela calçada. Bem calçado, para não escorregar quando fosse a hora da carga, passeou pelos cafés da praça central, e parou quando reparou que um dos esplanadeiros não projetava sombra no chão à sua frente. Perguntou-lhe as horas, e quando este, convencido do seu disfarce humano, lhe respondeu que não tinha relógio, as suas dúvidas desfizeram-se. Num movimento contínuo, pousou o saco e cravou-lhe uma estaca no peito, fazendo cair o copo de ginger ale ainda cheio sobre a mesa de alumínio. As pessoas em volta ajudaram a varrer as cinzas e aproveitaram para comprar algumas cabeças da bendita hortícola. O justiceiro já não espera nos becos, pois apesar de se apertar o cerco e alguns dos dentuços estejam já atrás das grades, há-os cada vez em maior número, e andam sedentos, sem medo e sem vergonha.

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