segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

ONDE ESTÁS?





















 foto de MJSpiff


Dizem-me que estás no céu. Não acredito, porque olho e não te vejo. Olho todos os dias e não te vejo. Gostava que fosse verdade, que te pudesse distinguir numa nuvem, recortada contra o escuro do espaço, como te via nas ecografias. Se te visse, chamava logo a tua mãe, a tua avó, a tua tia, os teus irmãos, para verem também. Para te acenarem, com saudade. Com saudade do que nunca vivemos juntos, se é que se pode sentir isso. Acho que sim, que se pode sentir. Ficaram apenas as feridas nos nós dos dedos, dos murros que dei nas portas lá de casa, quando soube que não te ia ter. Ficou a dor de barriga, essa que não passa com comprimidos. E ficaram por dar tantas coisas, por dizer tantas coisas, tanto que ficou por beijar, por ver, por cheirar, por ouvir, por sentir. Apenas um grande vazio. Grande e frio.

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