foto de RCid
De uma improvável relação entre co-trabalhadores de uma empresa de tubagens, nasceu Antero.
À imagem dos seus progenitores, um aquilino nariz e um faro natural para fugas, fizeram dele um dos melhores técnicos de instalação de gás industrial. Vinham estrangeiros de todo o lado conhecer o seu trabalho, aprender com ele, beber da sua mestria e omnipotência olfativa.
Quando se sentiu realizado na sua profissão, atingindo o
grau de instalador euro-certificado, mandou o seu aprendiz Gustavo fazer uma
instalação em seu nome, sob um forte e bem delineado plano de ação. A coisa
correu bem e decidiu montar uma empresa só sua, com um subsídio a fundo
perdido, desses que achamos por aí.
Começou por adquirir os dois plasmas de que estava mesmo a
precisar. De seguida apetrechou a sua casa de banho com loiça inteligente de
última geração, que o lugar onde reciclava as suas entranhas carecia de um upgrade indispensável.
Achou-se então velho demais para abrir uma empresa. Como tal
desfez a sua cara à porrada contra uma porta lá de casa, processou a vizinha de
baixo por agressão e maus tratos, ganhou uma pequena indemnização, a qual,
junta ao resto do bago do crédito, lhe deu ainda para viver dois anos dos
rendimentos..
Passados dois anos de procrastinação, emigrou para a Índia,
deixando o projeto da empresa, bem como a dívida, ao seu sobrinho anão, filho
da sua meia irmã. Ali estudou as maneiras dos sikhs e demais hindus, e não tardou
muito que atingisse a consciência suprema do seu olfato. E pacientemente
praticou até não ser mais que um nariz.
Sem comentários:
Enviar um comentário