Estava-se nas alturas dos santos populares, e o amor, como
sempre, pairava no ar, diluído entre o cheiro das sardinhas, do couratos e do
suor. Laurinda passava por uma rua semianimada, quando deparou com ele. Estava
velho, mas não tão velho como ela. Notavam-se as rugas mas não se notavam tanto
como as suas. O cabelo dele estava agora bastante menos farto. Ela já usava
peruca (das baratas, ainda por cima). Quase não tinha barriga e mantinha o
andar elegante, e o olhar enigmático que deslumbrava as esplanadas, dezenas de
mirones que parecia terem sido ali postos apenas para o ver passar. Ela
suspirou, como da primeira vez que o viu. Um suspiro tão profundo que receou
que ele tivesse notado. O seu coração acelerou quando se cruzaram.Ele passou e
não a reconheceu. Ela não se voltou para trás para o chamar.
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