Os seus olhos são como uma máquina fotográfica. Tudo o que
neles vemos refletidos, fica também neles registado. O seu anfitrião, apesar de
grande, é de uma delicadeza animal. Ao contrário do que se diz, a animalização
dos humanos torna-os melhores, pois não há nada mais puro do que o espírito
animal. Com o evoluir da humanidade, e também com o crescimento e a
socialização, o homo sapiens vai esquecendo isto e deixa de os imitar. Deixa de
se espreguiçar, deixa de se tratar, de se limpar, de se conhecer, de
procrastinar, de meditar, de ser. Curiosa e simultaneamente, o homem tende a
rodear-se dos mais fofinhos animais, aos quais chama companheiros, de
estimação, e afasta-se cada vez mais dos da sua própria espécie. Em caso de
dúvida, consultem-se os que dormem com eles.
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